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Ó U AUÊ AÍ Ó! Ó PAÍ Ó! VAREI! Ô LÔKO MEU! TCHÊ!FUNDAÇÃO CIENTÍFICA REIS DE LEÃO E ASTÚRIAS - Presidente: Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos |
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May 04 O Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos, presidente da Fucirla, apresenta dez questões sobre o Caso Isabella para a sociedade paulistana e o povo do Brasil.
Caso Isabella à Nação Brasileira
1. Por que a pressa da Justiça — Ministério Público, Promotoria, Polícia Militar, Civil, Científica, Desembargatório, enfim todo um aparato hollywoodiano de investigação policialesca piegas, paranóico, desleixado, precipitado e impreciso pesando sobre os País da Criança Inocente Isabella, monstruosamente assassinada por meio de um crime altamente complexo à assimilação do cotidiano social paulistano de São Paulo, uma das maiores cidades do mundo — é infinitamente maior em condenar do que em inocentar? E, por conseguinte também por que é infinitamente maior em subestimar esse homicídio frio e misterioso do que em respeitar tal crime tão hediondo, com prudência, razão, cuidado, precisão, clareza e eficácia?
2. Quem viu o monstro assassino da Criança Inocente Isabella no ato consumado desse homicídio bárbaro que lhe tirou definitivamente a vida do seu meio social paulistano onde inocentemente vivia tal como no Paraíso Adâmico de sua condição original divina que lhe recebe agora de braços abertos no céu? Dessa forma, sem quaisquer imbróglios nem provas frágeis assentadas em Inquéritos Policiais tomados e apurados por meio de atores sociais, cenas e fatos absolutamente paranóicos, piegas, até que se prove o contrário, são suspeitos ou não os 20 milhões de cidadãos paulistanos da Grande São Paulo e não apenas os Pais da Criança Santa, assassinada de forma tão pusilânime? Casos semelhantes a esse já não ocorreram e oneraram a sociedade paulistana por meio de erros crassos imperdoáveis do judiciário de São Paulo?
3. Quando exatamente ocorreu o crime, mas sem vacilos de 12 a 30 minutos no relógio atrasado ou adiantado de curiosos, intrometidos e ignorantes piegas com suas paranóias, que vão surgindo ao bel-prazer das delegações putativas e entrando como quem arromba a porta da razão no Inquérito Policial também paranóico, piegas, desleixado, precipitado e impreciso, que mais parece uma imensa fogueira das vaidades policialesca hollywoodiana do que a imparcialidade das Leis, as Rainhas duma cidade segundo Aristóteles, filósofo grego? [Cf. Aristóteles, séc. V a.C.]
4. Onde precisamente afinal ocorreu o crime monstruoso sobre a Criança Inocente Isabella, mas sem explicar tudo por meio de um Teatro do Absurdo Hollywoodiano Piegas, com suas paranóias ridículas, irresponsável, desleixado, precipitado e impreciso, nem tampouco usar de argumentos pseudocientíficos, sofismas, conjecturas, refutações, aproximações em controvérsias e paradoxos imperdoáveis que sequer resistem à própria pseudo-encenação nem tampouco se mantêm de pé frente a uma análise aprofundada dentro de suas próprias ferramentas e escopos investigatórios?
5. O que afinal exatamente levou ao crime monstruoso sobre a Criança Inocente Isabella, exposta de forma tão desumana e desrespeitosa por meio de estapafúrdias deduções, abduções e paranóias que tais o ET de Varginha-MG? O que dizem essas metrificações matemáticas visionárias, cálculos pseudotécnicos descalçados e respaldados em mirabolâncias pseudocondenatórias, reflexões pseudofísicas deslocadas em produções laboratoriais, pseudo-análises psicológicas descoladas do real, simbólico, imaginário (tríade lacaniana) pseudoprovas físicas, químicas, sólidas e líquidas? Enfim, o que prova um arsenal apenas de produção incabível recheada de mais paranóias, questiúnculas piegas, absolutamente dispensáveis porque parecem embustes investigativos, engodos, falácias inexplicáveis, sofismas pseudojustiçosos assentados em pseudosofias, pseudosemióticas e pseudobrasileirismos?
6. Como afinal precisamente ocorreu o crime monstruoso sobre a Criança Inocente Isabella, mas sem reconstituições hollywoodianas piegas, paranóias e jogos pueris cinematográficos incabíveis? Pra quê show como se tal homicídio fosse assunto torpe, opiniões avulsas sobre futebol, sexo, droga, religião, política, festa do cordão azul e encarnado em quermesses provincianas, passes espirituais, baixar no filho-de-santo em terreiros, centros que tais e encruzilhadas no sábado de aleluia?
7. Quais paradoxos mais (in) felizes do que os pressupostos em rumores, vozes ouvidas por vizinhos, curiosos, ignorantes, intrometidos e atores sociais piegas, com suas paranóias espantosas, a mais de 18, 100 metros do ocorrido ou distância lá que o valha? Quais paradoxos mais espantosos e nefastos do que estes, quando se é consabido por quaisquer leigos moradores da capital paulistana sobre a imprecisão e a infinita complexidade das correntes de ar que vão pra lá e pra cá ao capricho da natureza indomável, do destino climático apresentando até terremoto recente, do imprevisível, do inesperado e do desconhecido em meio ao redemoinho danado das ondas sonoras imperceptíveis duma das maiores metrópoles do mundo com decibéis incomensuráveis como são os da cidade de São Paulo?
8. Qual a temperatura ideal para a febre de condenação que pesa sobre os Pais da Criança Inocente Isabella nessa também (in) feliz reconstituição piegas e suas paranóias? Seria a mesma temperatura ideal para a febre de absolvição desses Pais, em que pese à responsabilidade também da sociedade, e se acaso são inocentes, já não foram julgados por essa febre de condenação supra usando a cega opinião pública por meio de suas paranóias espantosas? A experiência dessa temperatura na Justiça Paulistana com febre de condenação meteórica e estabanada não já mostrou outrora incompetência ao culpar inocentes que tiveram suas vidas devastadas, devassadas, irremediáveis, oneradas e estigmatizadas no caso dos responsáveis pelo educandário infantil, acusados, condenados e injustiçados por crime de pedofilia num erro crasso imperdoável do judiciário paulistano e omissão total do Estado? Afinal, a Nação deve questionar-se nesse caso ou só condená-los?
9. Pra que serve tamanha exposição paranóica e piegas da Criança Inocente Isabella, monstruosamente assassinada, que nem sequer está entre os seus entes queridos, principalmente seus Pais já onerados pela perda irreparável da filha, e que muito melhor se expressam mais com os olhos do que com as palavras, ao invocarem Deus como testemunha de sua inocência? [Cf. Fantástico: 20-04-2008] Por que bem diz outrora em favor deles um poeta francês renomado: “A Verdade entra pelos nossos olhos”? E por que Sócrates, filósofo grego, pontifica, também em favor desses Pais sem quaisquer advogados do Diabo: “A mentira tem pernas curtas.”? [Cf. Sócrates, séc. V a.C.] Muito embora Goeble, comunicador nazista, professe: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Mas o mesmo Sócrates não lhe reprova nessa assertiva quando diz: “A verdade nasce entre os homens e não apenas com um deles.”? Assim, a sociedade não deve esperar pelo menos que se siga à lição sobre Leis, as rainhas duma cidade, do filósofo grego, o mais reflexivo, o mais qualificado, o mais prudente, o mais equilibrado, o mais responsável e o mais confiável de todos?
10. Diante de tantas paranóias, controvérsias, conjecturas, refutações, imprecisões, incoerências, parcialidades, paradoxos, sofismas, frouxidão de análises técnico-científicas e exposição pública da reconstituição piegas, com aparato hollywoodiano de pseudoteatro quixotesco, explicando tudo por meio do absurdo, a sociedade paulistana e toda a nação brasileira devem solicitar ou não Revisão desse Caso Isabella tão misterioso e complexo? A conclusão meteórica do Inquérito Policial que já pede a Prisão Preventiva Imediata dos Pais de Isabella contempla à cidadania que deve ser amparada e protegida no seu direito à inocência, largamente defendida na sociedade democrática até que se prove o contrário, direito de ir e vir, direito a constituir representação na forma da Lei, conforme reza a Constituição Brasileira, Os Direitos Humanos e a Declaração Universal da ONU ou não?
Ressalte-se que as Legislações supracitadas também são redigidas à luz do Direito Romano, indo mais além à Constituição Grega desde os auspícios de Dracon, primeiro legislador grego, alcançando à elaboração final e constitucional do discípulo mais brilhante de Sócrates, Platão, autor da obra A República [Cf. Platão, séc. V a.C.] Vale salientar ainda que segundo Aristóteles, discípulo mais brilhante de Platão no que tange às leis, constituição grega e demais fóruns helênicos e atenienses: "As Leis são as rainhas de uma cidade, que se não as cumpre nem as segue instalam-se o caos e a corrupção, levando a sociedade ao erro sem fim.” [Cf. Aristóteles, séc. V a.C.].
Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos
(Presidente da Fucirla-SP)
O Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos, presidente da FUCIRLA-SP, provoca a UNE para reagir à corrupção nas universidades brasileiras.Avante UNE inocente útil Vambora bando de inocentes úteis da UNE, colonizados felizes, pelegada desmoralizada, estudantada frouxa, entreguistas pusilânimes, traidores e discentes profissionais ou mesmo funcionários do Lulismo e Petismo corruptos ambos os TRÊS: CHUPA ESSA MANGA traidores inocentes úteis do ME. Até quando vão esperar REITORES LADRÕES, CORRUPTOS como os da Universidade de Brasília/UNB, Universidade Federal de São Paulo/UFSP, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS e demais universidades corruptas, que por meio de Cartões Corporativos saqueiam o erário, a soberania nacional e até descaradamente debocham de 200 milhões de brasileiros extorquidos por esses sacos de bosta da Educação Superior. Haja vista que nessas e nas demais Universidades do Brasil impera corrupção, nepotismo, fisiologismo, injustiça, analfabetismo, governos e políticos traidores da pátria e vendedores da soberania. Assim, para eles, só alguém como Augusto dos Anjos e Dom Quixote representam perigo, considerados subversivos no entender desses corruptos brasileiros. Daí autores como Cervantes e Augusto dos Anjos, na educação nacional, estarem no lixo ou queimados na fogueira da censura e exclusão do lulismo petista corrupto. Contudo, diante desse mar de lama da corrupção que devasta a universidade brasileira, sequer a UNE se posiciona diante de tanta corrupção acabando com a Nação, pois é o mínimo que estudantes de verdade podiam fazer, pelo menos se não fossem pelegos, massa de manobra do lulismo e petismo corruptos, colonizados felizes, nem tampouco inocentes úteis: extinguir os Reitores Corruptos e os Cartões Corporativos da Universidade Federal de São Paulo/UFSP, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS, Universidade de Brasília/UnB e demais universidades brasileiras corruptas. Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos (Presidente da FUCIRLA-SP) O semioticista Montgomery Vasconcelos defende como tese A metasemiótica à luz da teoria triádica de Bakhtin, divergindo da comunidade científica.A metasemiótica à luz da teoria triádica de Bakhtin Embora o alemão Goeth tenha pesquisado a fundo o carnaval na Itália, quem primeiro, no mundo moderno, teorizou o carnaval em bases sólidas na literatura foi Bakhtin em seu livro "Problemas da poética de Dostoiévski", tradução direta da Língua Russa para a Língua Portuguesa por Paulo Bezerra e publicado pela Forense Universitária, no Rio de Janeiro-RJ, Brasil. Nessa obra importantíssima que remonta o carnaval desde a Grécia Antiga, a partir da "Sátira Menipéia", de Menipo de Gadare, tive o prazer de fazer uma transposição da linguagem da realidade dessas manifestações carnavalescas e saturnais romanas (por meio das eras e através dos tempos) para a linguagem da literatura brasileira, em especial na poética de Augusto dos Anjos, o mais original dos poetas no Brasil, segundo o crítico renomado Alfredo Bosi e demais autores de sua fortuna crítica. Destarte, só consegui levar a bom termo as minhas teses, tanto no projeto de pesquisa no mestrado quanto no doutorado, graças à tríade filológica fundada na teoria deste filólogo russo Bakhtin, que em especial nesta obra apresenta uma metasemiótica por meio de sua teoria triádica (primeira peculiaridade, segunda peculiaridade, terceira peculiaridade) tal como faz Peirce (primeiridade, secundidade, terceiridade) e Lacan (real, simbólico, imaginário). Portanto, acho-a imprescindível para dar base às quaisquer teses assim como deu às minhas que levei a público pela editora Annablume de São Paulo-SP, capital, no Brasil sob o título: “A POÉTICA CARNAVALIZADA DE AUGUSTO DOS ANJOS”. Umberto Eco dentre tantos pesquisadores também se preocupou em estudar o carnaval, todavia na co-autoria de Mônica Rector em seu livro Carnaval! Em todo caso vou indicar uma referência bibliográfica pra quaisquer semioticistas acadêmicos ou autodidatas ancorarem suas teses em bases sólidas também, a saber: BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoievski. Trad. Paulo Bezerra, Rio de Janeiro, Forense, 1981. ECO, Umberto., Ivanov, V.V. y Rector, Monica. Carnaval! Traducción de Mónica Mansour, Tezontle, México, Fondo de Cultura Económica, 1990. VASCONCELOS, Montgomery. A poética carnavalizada de Augusto dos Anjos. São Paulo, Annablume, 1996. VASCONCELOS, Montgomery. “Peirce, Lacan Bakhtin and Augusto dos Anjos: semiotic equidistances” In: Ensayos Semióticos. Dominios, modelos y miradas desde el cruce de la naturaleza y la cultura. Compilador Adrián Gimate-Welsh, México City: Grupo Editorial Miguel Angel Porrúa, Editorial Universidad Autônoma de Puebla, Asociación Mexicana de Estúdios Semióticos, Proceedings 6th Congress of the International Association for Semiotic Studies: Semiotic Bridging Nature and Culture, publication dez./2000a, (1104pp), pp. 793-807. VASCONCELOS, Montgomery. “Peirce, Lacan Bakhtin and Augusto dos Anjos: semiotic equidistances” In: 6th Congress of the International Association for Semiotic Studies: Semiotic Bridging Nature and Culture, Guadalajara - México, july, 13-18, 1997d, CD-Room: 1-10, dez./2000b. VASCONCELOS, Montgomery. “The carnivalized poetics of Augusto dos Anjos” In: Semiotics around the world: synthesis in diverty. Proceedings of the Fifth Congress of the International Association for Semiotic Studies, Berkeley 1994, Edited by Irmengard Rauch and Gerald F. Carr, Berlin - New York, Mouton de Gruyter, pp. 497-500, 1997a. Espero ter colaborado à altura que quaisquer teses mereçam e desejo muito boa sorte e sucesso às pesquisas dos prezados leitores e semioticistas quer acadêmicos quer autodidatas. Contem comigo no que estiver ou não ao meu alcance. Saudação carnavalesca e metasemiótica. Prof. Dr. Montgomery Vasconcelos (Fucirla-SP/Inep-DF/Brasil) January 15 DEBATE SOBRE A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCODEBATE /A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO CONTRAA QUEM SERVE A TRANSPOSIÇÃO?* Aziz Ab'sáber É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas idéias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas. Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados. Tem faltado a eventuais membros do primeiro escalão dos governos qualquer compromisso com planificação metódica e integrativa, baseada em bons conhecimentos sobre o mundo real de uma sociedade prenhe de desigualdades. Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Pessoalmente, estou cansado de ouvir propostas ocasionais, mal pensadas, dirigidas a altas lideranças governamentais. Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar. Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil. Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do país, onde se encontra a região semi-árida mais povoada do mundo. O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte. Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa. Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio - Paulo Afonso, Itaparica, Xingó. Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região. De forma que o novo projeto não pode, em hipótese alguma, prejudicar o mais antigo, que reconhecidamente é de uma importância areolar. Mas parece que ninguém no Brasil se preocupa em saber nada de planejamentos pontuais, lineares e areolares. Nem tampouco em saber quanto o projeto de interesse macrorregional vai interessar para os projetos lineares em pauta. Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela idéia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: A quem vai servir a transposição das águas? Uma interrogação indispensável em qualquer projeto que envolve grandes recursos, sensibilidade social e honestas aplicações dos métodos disponíveis para previsão de impactos. Os "vazanteiros" que fazem horticultura no leito dos rios que "cortam" - que perdem fluxo durante o ano - serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: "A cultura de vazante já era". Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados. De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm. É possível termos água disponível para o gado e continuarmos com pouca água, para o homem habitante do sertão. Nesse sentido, os maiores beneficiários serão os proprietários de terra, residentes longe, em apartamentos luxuosos em grandes centros urbanos. Sobre a viabilidade ambiental pouca coisa se pode adiantar, a não ser a falta de conhecimentos sobre a dinâmica climática e a periodicidade do rio que vai perder água e dos rios intermitentes-sazonários que vão receber filetes das águas transpostas. Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste. No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses. Trata-se, porém do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. Trata-se de um impasse paradoxal, do qual, até agora, não se falou. Por outro lado, se esta água tiver que ser elevada ao chegar a região final de seu uso, para desde um ponto mais alto descer e promover alguma irrigação por gravidade, o processo todo aumentará ainda mais a demanda regional por energia. E, ainda noutra direção, como se evitará uma grande evaporação desta água que atravessará o domínio da caatinga, onde o índice de evaporação é o maior de todos? Eis outro ponto obscuro, não tratado pelos arautos da transposição. A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes. Existindo dinheiro - em uma época de escassez generalizada para projetos necessários e de valor certo -, todos julgam que deve ser democrática a oferta de serviços, se possível bem rentosos. Será assim, repetindo fatos do passado, que acontecerá a disputa pelos R$ 2 bilhões pretendidos para o começo das obras. O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da chapada do Araripe - com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política. No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria. * Aziz Ab'Sáber, 80 anos, é geógrafo, professor-emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e professor convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP. |
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